O que é o DIU e por que gera tantas dúvidas?
O dispositivo intrauterino, mais conhecido como DIU, é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis hoje. Apesar de existir há décadas, ainda cerca de muitos mitos e dúvidas, especialmente sobre dor na inserção, efeitos colaterais e se realmente funciona bem. A boa notícia é que a ciência já acumulou evidências robustas sobre sua segurança e eficácia, e entender como ele funciona é o primeiro passo para tomar uma decisão informada sobre sua saúde reprodutiva.
Além disso, o DIU é classificado como um método de longa duração (LARC, na sigla em inglês), o que significa que, uma vez inserido, você não precisa se lembrar de tomar pílula todo dia. Essa praticidade é uma das razões pelas quais a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) recomendam o DIU como uma excelente opção para mulheres que buscam contracepção eficaz e de baixa manutenção.
DIU de cobre: como funciona e para quem é indicado
O DIU de cobre é um pequeno dispositivo em forma de T envolvido por fio de cobre que é inserido dentro do útero. Ele não contém hormônios, o que o torna uma opção interessante para mulheres que preferem ou precisam evitar métodos hormonais. O cobre cria um ambiente hostil aos espermatozoides, impedindo que eles alcancem o óvulo, e também altera o endométrio, dificultando a implantação.
Uma das grandes vantagens do DIU de cobre é sua longa duração: ele pode permanecer no útero por até 10 a 12 anos, dependendo do modelo. Além disso, ele começa a funcionar imediatamente após a inserção e pode ser usado como contracepção de emergência se colocado até 5 dias após uma relação desprotegida, com eficácia superior a 99% para esse fim, segundo o ACOG.
Por outro lado, o DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual e intensificar as cólicas, especialmente nos primeiros meses de uso. Para mulheres que já têm fluxo muito intenso ou cólicas fortes, esse aspecto precisa ser avaliado com a ginecologista antes da escolha.
DIU hormonal (Mirena e outros): como funciona e para quem é indicado
O DIU hormonal, cujo modelo mais conhecido é o Mirena, libera uma pequena quantidade do hormônio levonorgestrel diretamente no útero. Essa liberação local torna os efeitos colaterais sistêmicos muito menores do que os de métodos hormonais orais. O hormônio torna o muco cervical mais espesso (dificultando a passagem dos espermatozoides), afina o endométrio e, em algumas mulheres, pode suprir parcial ou totalmente a ovulação.
Uma das características mais notáveis do DIU hormonal é a tendência de reduzir significativamente o fluxo menstrual. Muitas mulheres que usam o Mirena relatam períodos mais curtos e leves, e cerca de 20% delas param de menstruar completamente após um ano de uso. Essa amenorreia (ausência de menstruação) é segura e reversível, e não indica nenhum problema de saúde.
O DIU hormonal tem duração de 5 a 7 anos, dependendo do modelo, e também começa a funcionar rapidamente após a inserção. Ele é frequentemente recomendado para mulheres com fluxo intenso, cólicas fortes ou endometriose, pois pode trazer alívio significativo desses sintomas, além da função contraceptiva.
Vantagens do DIU que você precisa conhecer
Tanto o DIU de cobre quanto o hormonal compartilham vantagens importantes que os colocam entre os melhores métodos contraceptivos disponíveis. Primeiramente, a eficácia é superior a 99%, comparável à laqueadura tubária, mas com a grande diferença de ser totalmente reversível. Além disso, por ser um método de longa duração, elimina a necessidade de lembrar de tomar pílula ou aplicar injeções regularmente.
Outra vantagem significativa é a rapidez da reversão: assim que o DIU é removido, a fertilidade retorna quase imediatamente. Isso é especialmente relevante para mulheres que desejam engravidar no futuro, mas querem uma contracepção altamente eficaz no presente. Estudos publicados pelo ACOG confirmam que não há impacto de longo prazo na fertilidade após a remoção do dispositivo.
Adicionalmente, o DIU não interfere na amamentação, sendo uma excelente opção para mulheres no pós-parto. O DIU de cobre, por não conter hormônios, é particularmente adequado nesse período. Já o DIU hormonal também é considerado seguro durante a amamentação, pois a quantidade de hormônio que passa para o leite é mínima.
Desvantagens e efeitos colaterais: o que observar
Como todo método contraceptivo, o DIU tem desvantagens que precisam ser consideradas. No caso do DIU de cobre, o aumento do fluxo menstrual e das cólicas é o efeito colateral mais comum, especialmente nos primeiros 3 a 6 meses. Para algumas mulheres, esse desconforto persiste, e a troca por outro método pode ser necessária.
Já o DIU hormonal pode causar sangramento irregular nos primeiros meses, com escapes e manchas entre os períodos. Esse padrão tende a melhorar com o tempo, e muitas mulheres passam a ter fluxos muito leves ou ausentes após alguns meses. Outros efeitos possíveis incluem dor de cabeça, sensibilidade mamária e alterações de humor, embora sejam menos frequentes do que com métodos hormonais orais.
É importante mencionar que existe um risco pequeno de expulsão do DIU, especialmente nos primeiros meses após a inserção, e um risco raro de perfuração uterina durante o procedimento. Infecções pélvicas também são uma possibilidade, principalmente nas primeiras semanas. Por isso, o acompanhamento com a ginecologista é fundamental para garantir que tudo esteja bem.
DIU de cobre vs DIU hormonal: qual escolher?
A escolha entre o DIU de cobre e o hormonal depende de vários fatores individuais, incluindo seu histórico médico, preferências pessoais e como seu corpo responde a hormônios. Não existe um método melhor de forma absoluta, existe o método mais adequado para cada mulher em cada momento da vida.
De forma geral, o DIU de cobre é uma excelente escolha para quem prefere evitar hormônios, tem fluxo menstrual leve a moderado e deseja uma contracepção de longa duração sem substâncias químicas. Já o DIU hormonal tende a ser mais indicado para quem tem fluxo intenso, cólicas fortes, endometriose ou simplesmente prefere a possibilidade de ter períodos mais leves ou ausentes.
Conversar com sua ginecologista é essencial para avaliar seu caso específico. Ela poderá considerar fatores como tamanho e posição do útero, histórico de alergias (especialmente ao cobre), condições médicas pré-existentes e seus planos reprodutivos futuros. Essa conversa individualizada é insubstituível e assegura que a escolha seja a mais adequada e confortável para você.
Quem pode usar DIU?
O DIU é um método seguro para a maioria das mulheres, incluindo adolescentes e mulheres que nunca tiveram filhos. Durante muito tempo, acreditou-se que o DIU era indicado apenas para mulheres que já haviam engravidado, mas as diretrizes atuais do ACOG e da FEBRASGO confirmam que ele pode ser usado por qualquer mulher em idade reprodutiva que deseje contracepção de longa duração.
Existem algumas contraindicações que precisam ser avaliadas pela ginecologista: infecção pélvica ativa, sangramento vaginal de causa desconhecida, câncer de endométrio ou colo do útero, malformações uterinas significativas e, no caso do DIU de cobre, alergia ao cobre ou doença de Wilson. Fora essas situações, o DIU é uma opção viável e segura para a grande maioria das mulheres.
Além disso, mulheres com miomas uterinos podem usar DIU em alguns casos, dependendo do tamanho e localização dos miomas. O DIU hormonal, inclusive, pode ser benéfica para mulheres com miomas que causam sangramento excessivo, pois ajuda a reduzir o fluxo.
O que esperar na consulta e na inserção do DIU
A inserção do DIU é um procedimento ambulatorial rápido, realizado no consultório da ginecologista, sem necessidade de anestesia na maioria dos casos. O procedimento dura em torno de 5 a 10 minutos, e a mulher pode retomar suas atividades normais no mesmo dia, embora seja comum sentir cólicas leves nas horas seguintes.
Para tornar o procedimento mais confortável, a ginecologista pode recomendar o uso de um analgésico (como ibuprofeno) cerca de 30 a 60 minutos antes da inserção. Em alguns casos, pode ser utilizada anestesia local no colo do útero. Conversar com a médica sobre suas preocupações e seu limiar de dor é importante para que ela possa adaptar o procedimento às suas necessidades.
Após a inserção, é recomendado um retorno em 4 a 6 semanas para verificar se o DIU está bem posicionado. Depois disso, o acompanhamento pode ser anual, junto com a consulta ginecológica de rotina. A mulher pode verificar as cordinhas do DIU sozinha, com os dedos, para confirmar que ele continua no lugar, mas ultrassonografia de controle pode ser solicitada se houver qualquer dúvida.
Perguntas frequentes sobre DIU
O DIU engravida? Embora nenhum método contraceptivo seja 100% infalível, o DIU tem eficácia superior a 99%, o que significa que menos de 1 em cada 100 mulheres que usam DIU engravida por ano. É um dos métodos mais eficazes disponíveis.
O DIU dói para colocar? A sensação varia muito de mulher para mulher. Algumas relatam apenas um desconforto leve, enquanto outras sentem cólica mais intensa durante o procedimento. O uso de analgésico prévio ajuda bastante, e o desconforto costuma ser breve.
O DIU pode sair do lugar? A expulsão é rara (cerca de 2 a 5% dos casos) e ocorre mais frequentemente nos primeiros meses. Verificar as cordinhas periodicamente e fazer o acompanhamento com a ginecologista reduzem esse risco.
Quem usa DIU precisa usar camisinha? O DIU protege contra gravidez, mas não contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Por isso, o uso de camisinha continua sendo recomendado, especialmente em relações com parceiros fixos cujo estado de saúde sexual não é conhecido.
O DIU afeta a fertilidade futura? Não. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção do DIU, tanto o de cobre quanto o hormonal. Estudos mostram que mulheres que removem o DIU engravidam na mesma proporção daquelas que nunca usaram o método.
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Referências
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Practice Bulletin No. 186: Long-Acting Reversible Contraception: Implants and Intrauterine Devices. Obstet Gynecol. 2017.
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Contracepção: métodos de longa duração. 2023.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica individualizada. Em caso de sintomas, dúvidas persistentes ou sinais de alerta, procure avaliação profissional.