Se você já notou um corrimento diferente, com odor mais forte, e ficou preocupada, saiba que isso é mais comum do que parece. A vaginose bacteriana é uma das causas mais frequentes de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva e, apesar do nome assustar um pouco, tem tratamento e é perfeitamente controlável.
Como médica especializada em saúde da mulher, a Gabriela Barreto escreve este artigo para ajudar você a entender o que está acontecendo no seu corpo, sem susto e com informação confiável. Vamos juntas?
O que é vaginose bacteriana
A vaginose bacteriana acontece quando há um desequilíbrio na flora vaginal. Isso significa que as bactérias que normalmente protegem a vagina (chamadas lactobacilos) diminuem em quantidade, abrindo espaço para que outras bactérias se multipliquem em excesso.
Um ponto importante para acalmar seu coração: a vaginose bacteriana não é uma infecção sexualmente transmissível (IST). Ela pode ocorrer em mulheres que nunca tiveram relação sexual e também em mulheres com relacionamento estável. O desequilíbrio da flora vaginal tem várias causas possíveis, e ter relação sexual é apenas um dos fatores que podem contribuir.
Sinais e sintomas mais comuns
Nem toda mulher apresenta sintomas. Quando eles aparecem, os mais frequentes são:
- Corrimento vaginal com odor forte, muitas vezes descrito como cheiro de peixe, especialmente após a relação sexual ou durante o período menstrual
- Corrimento branco acinzentado, de consistência fina e homogênea
- Leve ardência ao urinar (em alguns casos)
- Coceira leve na parte externa da vagina (menos comum do que na candidíase)
Se você se identificou com o corrimento com odor diferente, isso pode sim ser um sinal de vaginose. Mas apenas avaliação clínica com exame ginecológico pode confirmar o diagnóstico.
O que causa a vaginose bacteriana
A causa exata da vaginose ainda não é completamente conhecida, mas alguns fatores estão associados ao desequilíbrio da flora vaginal:
- Ter múltiplos parceiros(as) sexuais ou um(a) novo(a) parceiro(a)
- Uso de duchas vaginais (lavagem interna da vagina)
- Uso de DIU (embora o risco seja pequeno)
- Mudanças hormonais, especialmente durante o ciclo menstrual
- Uso recente de antibióticos
- Fumar
É fundamental entender: não é falta de higiene. Pelo contrário, o excesso de higiene interna (como duchas vaginais) é justamente um dos fatores que pode contribuir para o desequilíbrio. A vagina tem um sistema de autolimpeza natural, e interferemos nesse sistema quando limpamos por dentro.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da vaginose bacteriana é feito durante a consulta ginecológica. A médica observa o corrimento, faz o exame físico e pode realizar um teste simples no consultório (chamado teste de Whiff ou teste das aminas) que confirma o odor característico.
Em alguns casos, a médica pode solicitar exames laboratoriais do corrimento para descartar outras infecções que podem ter sintomas semelhantes, como candidíase ou tricomoníase.
Tratamento disponível
A vaginose bacteriana tem tratamento e ele é relativamente simples. O tratamento padrão é feito com antibióticos específicos, que podem ser usados por via oral (comprimidos) ou localmente (creme ou gel vaginal).
O antibiótico mais comumente utilizado é o metronidazol, que apresenta boa eficácia na maioria dos casos. O tratamento costuma durar entre 5 e 7 dias, dependendo da medicação escolhida pela médica.
Alguns pontos importantes sobre o tratamento:
- O(a) parceiro(a) sexual geralmente não precisa ser tratado(a), a menos que a vaginose seja recorrente. Essa é uma dúvida muito comum e importante.
- Durante o tratamento com metronidazol, deve-se evitar o consumo de álcool, pois a combinação pode causar náuseas e mal-estar.
- Após o tratamento, é recomendável retornar à consulta para confirmar que a infecção foi resolvida.
Diferença entre vaginose e outras infecções
Muitas mulheres confundem vaginose bacteriana com candidíase, mas são condições diferentes. Veja como distinguir:
| Característica | Vaginose bacteriana | Candidíase |
|---|---|---|
| Tipo de corrimento | Branco acinzentado, fino | Branco espesso, tipo coalho |
| Odor | Forte, semelhante a peixe | Sem odor ou levemente ácido |
| Coceira | Leve ou ausente | Intensa |
| Arduração | Pode ter | Frequente |
| Causa | Desequilíbrio bacteriano | Fungo (Candida) |
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Na dúvida, não tente se diagnosticar sozinha. Cada condição exige um tratamento diferente, e usar o medicamento errado pode piorar a situação.
Cuidados no dia a dia
Algumas medidas ajudam a manter a flora vaginal equilibrada e podem contribuir para prevenir novos episódios de vaginose:
- Não faça duchas vaginais. A vagina se limpa sozinha. Lave apenas a parte externa (vulva) com água e sabonete neutro.
- Evite sabonetes íntimos com perfume. Eles podem alterar o pH vaginal e aumentar o risco de desequilíbrio.
- Use calcinha de algodão. Tecidos respiráveis ajudam a manter a região seca e arejada.
- Troque absorventes e protetores com frequência. Ambientes úmidos favorecem a proliferação bacteriana excessiva.
- Após relações sexuais, urine sempre que possível. Isso ajuda a prevenir infecções urinárias e mantém a região mais saudável.
Probióticos vaginais com lactobacilos têm sido estudados como forma de prevenir a recorrência, mas ainda não há consenso médico suficiente para recomendá-los como rotina. Converse com sua ginecologista se tiver interesse.
Quando procurar avaliação médica
Procure sua ginecologista se apresentar:
- Corrimento com odor forte, especialmente se for novo ou diferente do seu padrão
- Corrimento persistente que não melhora em poucos dias
- Sintomas após tratamento prévio que retornaram rapidamente
- Sangramento fora do período menstrual associado ao corrimento
- Dor pélvica ou febre (sinais de que pode haver complicação)
Durante a gestação, a vaginose bacteriana merece atenção especial, pois pode estar associada ao risco de parto prematuro. Sempre informe sua equipe de pré-natal se apresentar sintomas.
Dúvidas frequentes
Vaginose bacteriana é grave? Na maioria dos casos, não. É uma condição comum e tratável. Porém, quando não tratada, pode aumentar o risco de outras complicações, como infecções pélvicas.
Posso ter vaginose mais de uma vez? Sim. A recorrência é comum: cerca de 30 a 50 por cento das mulheres têm novo episódio dentro de seis meses após o tratamento. Nesses casos, a médica pode indicar um tratamento de manutenção.
Posso ter relação sexual durante o tratamento? Em geral, é recomendável evitar relações sexuais durante o uso de cremes ou gels vaginais, pois o medicamento pode ser removido. Converse com sua médica sobre o seu caso específico.
Anticoncepcional ajuda ou piora a vaginose? Não há evidência clara de que métodos contraceptivos hormonais causem vaginose. Porém, cada mulher responde de forma diferente. Se você associou o início do método com sintomas, converse com sua médica.
Lembrete da Gabriela: Ter vaginose bacteriana não significa que você fez algo errado. É uma condição comum, que acontece com muitas mulheres e tem tratamento eficaz. Se perceber sinais diferentes no seu corpo, procure sua ginecologista sem vergonha. Nós estamos aqui para cuidar de você.
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Se você quer entender mais sobre saúde íntima, estes artigos podem ajudar:
- Corrimento vaginal: quando é normal e quando procurar ajuda?
- Corrimento branco é normal? Quando observar e quando procurar ajuda
Referências
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC): About Bacterial Vaginosis. Acesso em junho de 2026.
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): Vaginitis FAQ. Acesso em junho de 2026.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica individualizada. Em caso de sintomas, dúvidas persistentes ou sinais de alerta, procure avaliação profissional.